A FORÇA ESPIRITUAL DO MATRIMÔNIO

Em nossos artigos anteriores, escrevemos sobre as formalidades do matrimônio, sobre sua legalidade, validade e licitude; sobre suas formalidades. Neste, queremos escrever algo sobre a força espiritual que desce, da parte de Deus, sobre aqueles que se unem em matrimônio, através dos desdobramentos do ritual matrimonial.

Toda a celebração matrimonial é pensada pela Santa Igreja, em sua forma ritual, para significar a mais perfeita união do casal que, em corpo e alma, se dão e se recebem, mutuamente, em matrimônio, um ao outro, como marido e mulher, pelas forças do amor de Deus. No ritual que o próprio matrimônio encerra em si mesmo, desde as entradas até a solene bênção final no encerramento da cerimônia, tudo tem seu significado. Por isso é de extrema importância que a Igreja e o cerimonial contratado para trabalhar na celebração, estejam alinhados e que não se altere a ordem das coisas na cerimônia! Isso não quer dizer que a Igreja é intolerante do ponto de vista em “ser mais ou menos flexível” nos seus rituais, pelo contrário, isso significa que, observando todas as rubricas do ritual, temos certeza de que estamos mesmo fazendo algo sagrado e santo que derramará profundas graças divinas na vida dos noivos. Assim, vejamos:

A cerimônia ritual começa com a entrada do noivo. Isso significa que ele, o anfitrião do dia, entra primeiro e se posiciona na frente do altar, onde já está o celebrante, para receber com alegria seus convidados, que ali estão para celebrarem o dom do amor que Deus concedeu aos noivos. Lembramos que celebrar significa “trazer sempre à memória”. Celebrar o matrimônio, portanto, tem o sentido de dar à memória de todos os presentes, o motivo para que se lembrem, sempre, da forma maravilhosa como Deus uniu aqueles que naquele dia, se recebem mutuamente em matrimônio. Logo em seguida entram os pais, parentes e amigos que formam o cortejo dos padrinhos. Isso tem o sentido de que as pessoas mais importantes na vida dos noivos, ou seja, as pessoas nas quais eles se inspiram, estão ali para abençoarem, juntamente com o sacerdote, aquela união para que ela seja perfeita e repleta de força. Seguidamente, entram as daminhas, normalmente duas crianças, menores de sete anos, repletas de pureza de alma e de espírito, e que vão jogando no chão, algumas pétalas de rosas; pétalas brancas, para que os passos da noiva que entrará e andará sobre elas seja de grande paz e pureza; pétalas amarelas, para que ela, junto com seu marido, o noivo, sejam sempre prósperos e pétalas vermelhas, para que ela, a noiva, tenha sempre o dom de renovar o seu amor pelo seu marido e de dar a ele o sentido existencial deste sentimento nobre e divino que Deus concede a seus filhos, de forma especial na vida católica, chamado de matrimônio. Especialmente é importante este gesto das rosas às noivas católicas: elas preparam este rito inicial do matrimônio, comprando uma dúzia de rosas de cada cor – branca, amarela e vermelha – e, um dia antes do seu casamento, levam meia dúzia de cada cor destas rosas, a uma igreja e ofertam essas rosas à Virgem Maria: às brancas pedindo paz e pureza para o casamento; às amarelas pedindo sempre a providência de Deus e às vermelhas pedindo que Deus fecunde o casal com amor verdadeiro, com a mesma substância de amor que compõem a identidade do Cristo de Deus!

Iniciam-se os ritos matrimoniais formais, com as perguntas que têm por objetivo deixar claro diante de Deus e de todos os presentes a gratuidade daquele amor; a doação desinteressada de um ao outro e a formalização da vontade em se entregarem e se receberem, diante de Deus e dos eternos mandamentos do Altíssimo, por toda a vida, como marido e mulher! Logo em seguida entra outra criança, em idade de pureza, ou ainda, uma das avós, a grande matriarca, exemplo de mulher que viveu profundamente os testemunhos de Deus no matrimônio, levando as alianças para serem abençoadas. Neste momento pode-se também levar as duas velas batismais do casal, as quais também estiveram presentes nas mãos dos noivos no momento em que os mesmos fizeram a primeira comunhão e no momento em que foram crismados. Após a bênção e entrega das alianças, os dois podem acender suas velas, unindo as chamas das mesmas, e dizem: “estamos unidos a Deus pelo batismo e pelos seus mistérios de amor, em corpo, alma e espírito; que Ele, o Altíssimo, nos fecunde para a eternidade e nos conceda filhos em forma de bênçãos”; isto feito, passam as velas ao celebrante que, apagando-as, deixa-as sobre o altar. Segue-se a leitura bíblica que é a base para da mensagem que o celebrante deixará para o casal, nunca em tom sermonário ou arrogante, prolixo; mas uma mensagem de afeto, carinho, uma mensagem personalizada para aquele casal, o qual Deus trouxe àquele momento, diante dele, o sacerdote, para receber a bênção perfeita do amor, ou seja, o matrimônio! O sacerdote precisa ter consciência de sua missão e também a sutil delicadeza para elaborar a adequada mensagem aqueles noivos, e não cair na “engrenagem” de uma igreja que apenas reza um ritual! Casamento é transmissão de sentido para a vida de todos os presentes! Seguimos com o rito da comunhão e da maravilhosa bênção nupcial que cumulará de força apostólica aos que confiaram no Senhor Deus para se unirem em matrimônio n´Ele; há depois o gesto final da bênção de um cálice com vinho, lembrando aos noivos e aos presentes o gesto de Jesus Cristo, ao realizar seu primeiro milagre, numa festa de casamento, mudando a realidade da água para a realidade do vinho, mostrando assim ao novo casal que Ele, Jesus Cristo, pode mudar todas as realidades e circunstâncias da vida, exortando-os a sempre permaneceram em Cristo, como casal, mesmo quando aparecem os momentos de dificuldade; os noivos bebem num só cálice, porque a partir daquele momento são um só, como ensina a Palavra de Deus; beijam-se e todos recebem a bênção final.

Como se pode ver, todos os gestos durante a celebração do casamento têm a única preocupação de derramar a presença de Deus sobre o amor dos noivos, para que sejam plenos de graça, de crescimento e de vida!

Nossa preocupação é fazer entender, carinhosamente, que para cristãos o matrimônio precisa estar fundamentado na beleza das Sagradas Escrituras e deve ser, antes de tudo, um ato de amadurecido de fé, onde o casal busca, através daquele ritual, a bênção de Deus para sua união e que seja para a vida toda! Que Deus abençoe a todos os casais e faça de cada um, o verdadeiro instrumento de suas graças!

Dom Pedro Paulo Teixeira Roque