O VALOR QUE AS COISAS TEM

“… portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus” –  Mateus 10, 32.

A sociedade brasileira contemplou, há quase dois anos, primeiramente no estado do Rio Grande do Sul, depois em São Paulo e em Minas Gerais, algumas exposições “culturais e artísticas” custeadas com dinheiro público, através da Lei de Incentivo à Cultura, cujo conteúdo apresenta “obras” de uma criatividade “questionável” do ponto de vista da “sanidade” de seus autores. São obras que apresentam conteúdo que sugerem pedofilia, zoofilia e ao mesmo tempo o vilipêndio de nossas leis e de coisas sagradas e santas ao cristianismo, mormente ao catolicismo: “hóstias” nas quais foram escritas palavras de conteúdo sexual e nomes de partes do corpo humano; cenas de sexo aos pés da cruz; imagens sagradas de Maria e de Jesus deturpadas em seus significados.

Vilipendiar o sagrado significa dizer que ele vale pouco, que é barato ou de valor vil. A palavra vilipendiar vem do latim vilipendere e significa desprezar, dizer que algo vale pouco. Essa palavra é a união de villis, significando barato e vil, mais a palavra pendere. Vilipendiar coisas santas significa dizer que seus valores devem ser desprezados e, fazer isso através de exposições culturais, usando o conceito de arte para questionar esses valores nos quais estão alicerçados a própria lei e a sociedade brasileiras não é algo muito inteligente, afinal quem gostaria de ter seu nome ou logomarca associados a isso?

O objetivo primeiro e real da cultura deve ser o da promoção do ser humano; o da arte pode ser o de questionar valores, no entanto, quando se “questiona” agredindo através de vilipêndio o que é sagrado para alguém, se agride; quem agride não constrói; é agente do caos, da anarquia.

Mas, interessante também é ver a falta de testemunho que as instituições religiosas deram. Na verdade, depois de dois anos, a reação foi muito fraca e mesmo incoerente… mas já era de se esperar, pois, num país que diariamente é vilipendiado em suas questões de justiça e de direitos, o que resume bem a situação é a manifestação de grande jurista Rui Barbosa, no início do Século XX: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Peço a Deus que sejamos capazes de testemunhos de valores cristãos genuínos numa sociedade que precisa reinventar-se moral e eticamente. O Espírito do Senhor nos guie!

 

Pela Fé! – Dom Pedro Paulo Teixeira Roque – Bispo Coadjutor de Jundiaí, SP – ICAB. E-mail: dompedropaulo@uol.com.br    –    tel. 19 – 9.9996-0607